segunda-feira, 7 de novembro de 2016







O presente blog que vocês acabam de visitar tem como objetivo relatar a história de vida do meu avô Damião Bispo de Souza, fazendo relações com Salvador-BA  e algumas localidades que entram no contexto dessa história. Para o levamtamento das informações aqui contidas sobre os contextos históricos dos lugares, foram realizadas pesquisas em livros, sites, entrevista com meu avô, visitas a bibliotecas e institutos como fonte de pesquisa além de orientações ministradas pelo professor Alfredo Matta.
  Então agora é so mergullhar nessa aventura histórica!!!!
                 
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SALVADOR














Porto da Barra , no final do século 19, local onde Thomé de Souza aportou , em 29 de março de 1549.


Salvador uma cidade linda cheia de encantos, rica em cultura e miscigenação. Fundada em 1549 , localizada entre as colinas da Bahia de Todos os Santos, por esse aspecto geográfico foi fundada para defender a costa. Seu porto era o principal ponto de comércio, com importação e exportação de produtos vindos de navios da África, Índia e China , esses navios chegavam a Bahia através da Carreira das Índias ligação marítima entre Lisboa e o Oriente.

Esses navios viam carregados de mercadorias e atracavam no porto de Salvador que era passagem obrigatória na rota. Sendo Salvador o principal produtor de cana-de-açúcar , a chegada das embarcações se tornava o momento ideal para o comércio.



SALVADOR, PRIMEIRA CAPITAL DO BRASIL!




A BAHIA DIVIDIDA 






A decisão para a criação das Capitanias Hereditárias ocorreu devido crises e pressões, sendo assim em 1532 decidia-se colonizar o Brasil dividindo-o em capitanias, que foram: Ilhéus, Porto Seguro e Bahia.

A que mais me interessa relatar aqui é a de Ilhéus.
Ilheús foi doada em 1 de abril de 1535, a Jorge de Figueiredo Correia. A carta de doação da capitania foi foi assinada em Évora a 26 de Junho de 1534. Optou-se pela vila em uma enseada na embocadura do rio Cachoeira por ser área de excelente defesa contra inimigos , pelo mar ou em terra, além de o território possuir terra fértil, águas límpidas e mata exuberante. O que os portugueses não sabiam era a proximidade dos índios Aimorés, Tapuias tradicionais inimigos dos Tupiniquins da região. 

A principio ocorreu tudo bem, a vila foi crescendo e com isso se fazia necessário buscar alimento cada vez mais longe, com isso a cana-de-açúcar começou exigir mão de obra, foi ai que os portugueses estimularam a guerra dos índios Aimorés com os Tupiniquins para que os Tupiniquins capiturasem os índios Aimorés para servir de mão de obra para o trabalho da cana-de-açúcar. Tempo depois os portugueses resolveram esquecer sua velhas alianças e capturar seus próprios índios, ai a guerra foi generalizada. Duzentos anos depois dessa revolução marcada por muita luta, o progresso da vila era enorme e atraía todo tipo de pessoas . 

Em 1754 o governo português acabou com o sistema de capitanias hereditárias e as terras brasileiras voltaram para a mão do governo, foi nessa época que iniciaram o plantio do cacau. As primeiras sementes foram trazidas do Pará , pois o cacau é uma planta nativa da região Amazônica , pelo Frances Louis Frédéric Warneaux , e plantada na fazenda Cubículo , as margens do Rio Pardo , hoje município de Canavieiras . Naquela época não se tinha conhecimento da importância do chocolate na alimentação e só pensava-se em cultivar a cana-se-açúcar, que era o que rendia muito. Foi somente no século seguinte, nas primeiras décadas que os alemães chegados a região em 1821 começaram o plantio do cacau como cultura rentável.

A partir dessa data é que houve uma verdadeira corrida para a ocupação das terras, com isso na década de 20 do século passado, Ilhéus fervilhava de pessoas, de dinheiro, luxo e riquezas.










Porto de Ilhéus no século XX.





OS PODEROSOS CORONÉIS DA REGIÃO .













 Coronéis do cacau de Ilhéus.



Com o chegada da época de ouro do cacau em Ilhéus e região no Sul da Bahia, surgiram as grandes fazendas produtoras de cacau e seus poderosos proprietários denominados coronéis mesmo sem possuírem de fato o título militar.

Essa figuras ilustres, da época de ouro do cacau começaram sua conquista com muita luta , se embrenharam na floresta hostil para desmatá-la , no seu interior construíram suas roças e grandes fazendas de cacau. Nesse processo de ocupação e luta por posse e disputa de terra  acirrada  em meio a perigos, índios, doenças e animais selvagens surge a personalidade mítica dos coronéis. Através deles e de milhares de massacrados que não tiveram a mesma sorte que eles surgiram vilas e cidades para a glória da região. 

Os famosos coronéis transformam as terras da região em palco para seu poder, eles elegiam representantes políticos, manipulavam autoridades, usurpavam propriedades, mandavam assassinar pequenos cacauicultores em emboscadas ou os faziam perder suas roças e ficavam com elas, os coronéis eram a justiça e a política da região.  Não tinham limites de gastos , perdiam fortunas no jogo, frequentavam bordéis de luxo, acendiam charutos com notas de quinhentos mil réis entre outras extravagancias. 


Com a ajuda fundamental deles Ilhéus e Itabuna no Sul da Bahia viveram uma época de prosperidade econômica em consequência da grande produção de cacau da região que alcançou altos preços no  mercado internacional . Graças a eles no auge da lavoura do cacau, o Sul da Bahia chegou a ser responsável por 40% da atividade financeira do mercado. Hoje os famosos coronéis ficam na memória como ex-heróis da época da riqueza do cultivo de cacau, que passou da opulência á decadência. Em Ilhéus ficaram na história os nomes dos coronéis Misael Tavares e  Basílio Sinhô Badaró. Em Itabuna José Firmino Alves, Henrique Alves dos Reis e Paulino Vieira.


                                                     

                                     Coronel Basílio Sinhô Badaró de Ilhéus.








 Palacete Misael Tavares em Ilhéus.

Segundo Borges de Barros (1981) , o coronel Misael Tavares(1867-1938) mandou construir , a partir do ano de 1914, o prédio que abrigaria , dai em diante, a sua família. Este prédio, denominado Palacete Misael Tavares , esta situado na antiga Rua do Conselheiro Saraiva, hoje Antonio Levigne  de Lemos.

















Coronel Firmino Alves de Itabuna.










IGRAPIÚNA, MUNICÍPIO ONDE MEU AVÔ RESIDE ATUALMENTE.














Igreja de Nossa Senhora das Dores no século 17.



Igrapiúna surgiu de uma aldeia de índios Tupiniquins denominada "igarapé-Una" que em Tupi Guarani significa pequeno rio de águas escuras . A partir do início do seculo 17 , os portugueses foram atraídos iniciando os cultivos de mandioca, arroz e cana-de-açúcar, datando desta época o princípio da construção da igreja de Nossa Senhora das Dores padroeira  da localidade.

A criação do município aconteceu somente nos anos 80. O primeiro pedido de emancipação aconteceu em 1962, sendo negado. Em 1980 nova solicitação foi encaminhada a assembléia legislativa do Estado da Bahia , baseada, desta vez, na expansão do cultivo de seringueira em Igrapiúna. Em 15 de dezembro de 1998 o distrito foi finalmente desmembrado de Camamu e elevado a condição de município.


Existe uma outra versão sobre a história de Igrapiúna contada no livro (Guia Cultural da Bahia Litoral Sul.V7. Salvador 1999) livro esse encontrado no Instituto Histórico e Geográfico da Bahia em Salvador-BA. No qual relata-se que o município originou-se de uma aldeia de jesuítas. Ha também fortes indícios de que a criação do municipio esteja diretamente ligada a Coroneis de fazendas de cacau da região naquela época, porém em minhas pesquisas nao encontrei nenhum registro que comprovasse essa ipótese. 



            








Praça da Feira centro de Igrapiúna.











                                                                                                                               


                                 Igreja de Nossa Senhora das Dores padroeira de Igrapiúna (2016).
                       



GANDU BAHIA- HISTÓRICO














Centro da cidade de Gandu.



O Município de Gandu foi originado da Fazenda Corujão adquirida em 1912 por José Amado Costa vindo da cidade de Areia em busca de solo fértil para o plantio do cacau. A fazenda localizava-se em Santarem (hoje Ituberá) , a fazenda recebeu o nome de Corujão devido  a um corujão que dormia sobre um pé de Piqui em frente a uma igreja ( hoje Paróquia de São José) .

Em 1919  a Fazenda já era um arraial de 37 palhoças e 15 casas de taipa. Tempo depois esse arraial passou a se chamar com o mesmo nome do Rio Gandu que banha a região, tendo sua nascente na Serra da Pedra Chata habitat natural de jacarés ou gandús os primeiros habitantes dessa terra antes da chegada dos homens. Em 6 de dezembro de 1920, foi criado e instalado o Distrito de Gandu pertencendo ainda ao município de Ituberá.

Toda a extensão do território de Gandu por fazer parte da região de forte cultivo de cacau, produzia muito desse fruto, trazendo muita riqueza, e desenvolvimetno para a cidade. Na década de 60 até os anos 80 o municípo era era rodeado por armazens de cacau que guardavam o fruto para o comércio.
Outro marco importante para o desenvolvimento comercial da região foi a criação da Rodovia Federal a BR-101 construída na década de 1940 pelo exercito brasileiro. A construção dessa rodovia intensificou o comercío do cacau diretamente para Salvador aumentando os lucros para a regiao de Gandu.


Com todos esses avanços a região foi se desenvolvendo e em 28 de Julho de 1958 através da Lei n 1008 o município de Gandu foi desmembrado assim de Ituberá e constituído dos distritos de Gandu (sede), Nova Ibiá e Itamari.




                                                                Paróquia de São José.
                                                          

     




     







Vista aérea da Cidade de Gandu.      
DÃMIAO BISPO DE SOUZA: UMA HISTÓRIA DE CONQUISTAS.




 Damião Bispo de Souza


Falar sobre meu amado avô Damião Bispo de Souza é mais do que uma honra, é um grande privilegio. Descrevo aqui um homem de caráter, pai exemplar, dedicado, um avô e bisavô muito amoroso. Sua aparência hoje tão frágil de olhar muitas vezes cansado, revela o resultado de uma vida cansativa de muito trabalho , mas regada de conquista e eternizada com a construção de uma família gigantesca.

 Atualmente com 83 anos de idade nasceu em 2 de fevereiro de 1933 no vilarejo de Braço do Norte próximo a cidade de Gandu-BA. Atualmente essa região e um vasto território de fazendas . Foi criado por seus pais Pedro Bispo de Souza e Maria Vitoria de Jesus em uma pequena fazenda nessa região até seus 3 anos.
Completando essa idade seus pais o deram para seu padrinho Herpídio e sua esposa Maria para o criarem, esse casal já tinha um filho mais velho, seus outros irmãos que eram, Paulo, Vivaldo, Manoel, Olegário, Arlinda, Dovírge, Antônia, Damiana e Docilina continuaram morando com os pais. Ele foi crescendo nesse lar adotivo, quando aos seis anos
de idade seu pai biológico veio a falecer, mesmo com essa triste noticia nada mudou, Maria vitoria de Jesus sua mãe continuo criando seus filhos sozinha enquanto avô continuava na casa do seu padrinho. A vida nesse lar começava a se tornar difícil pois seu padrinho batia muito no meu avô, ele suportou esses maus tratos ate seus 12 anos de idade, quando tomou a decisão de fugir daquela casa.

A fuga foi tramada juntamente com um rapaz chamado Merquídio que morava próximo a sua casa  e tinha o mesmo interesse de sair daquele vilarejo, então combinaram de pegar a estrada rumo a um destino inserto. Dessa forma em uma certa madrugada por volta de 4 horas da manhã os dois fugiram, iniciando uma longa caminhada a pé, pois naquele tempo não havia meios de transportes para viajantes.  Meu avô com apenas 12 anos não aguentava caminhar muito tempo então eles iam parrando na beira da estrada para descansar, se alimentar e dormir um pouco para continuar a fuga. Foi assim por vários dias, quando finalmente chegaram em um vilarejo chamado Tanques, la caíram na graça dos moradores que os acolheram, lhes dando abrigo e comida. Depois da recepção calorosa logo começaram a trabalhar nas roças de cacau que tinha por lá, roçavam, capinavam, bandeavam cacau , meu avô franzino mau aguentava o duro trabalho mais assim foram vivendo. Moraram nesse vilarejo de 7 á 8 anos.

Depois desse período começava a correr boatos no vilagero sobre uma fabrica de cultivo de seringueiras e produção de borracha  norte-americana chamada Firestone, fundada na região de Igrapiúna na década de 1940. Ao ouvir esses burburinhos meu avo e Merquídio decidiram ir até a cidade de Igrapiúna em busca de uma oportunidade de emprego. Então saíram em mais uma longa caminhada. Chegando na cidade não conseguiram emprego na fabrica, então decidiram ficar por la mesmo, a partir dai cada um seguiu sua vida e eles se separaram. Foi quando meu avô conheceu um morador de Igrapiúna chamado Juraci que o ajudou a se estabilizar na cidade conseguindo trabalhos em roçados. Ele conheceu também um casal muito amoroso chamado Joséfa e João Rita que o ajudaram muito,o tempo foi passando e meu avô continuou trabalhando na colheita em roças de cravos e cacau. Após esse período duro ele conseguiu uma roça para tomar conta chamada Céu Azul.

                       CONSTITUÍNDO A FAMÍLIA

Meu avô ainda era muito jovem tinha em média 18-19 anos nesse período, era de costume dele jogar bola com os amigos em um campo próximo a fazenda que ele tomava conta, foi nesses jogos de fim de tarde que ele conheceu Raimundo Pinto um menino ainda pequeno que se tornou um amigo muito próximo dele. Raimundo Pinto tinha uma bela irma chamada Maria Santana de Araujo Ramos, meu avô logo se apaixonou por ela e mandou recado pelo irmão dela seu amigo, perguntando se a jovem gostaria de morar com ele. Ela aceitou o convite e logo se mudaram para a fazenda Céu Azul. Maria Santana já tinha dois filhos Josafá e José Raimundo que meu avô passou a criar como se fossem seus filhos.

Ficaram morando nessa fazenda por um tempo e lá nasceram seus dois primeiros filhos, minha mãe Rosângela Ramos de Souza Sillva, e Everildo Carlos Ramos de Souza. Tempos mais tarde mudaram-se para a casa de Maria José a sogra do meu avô, la nasceram os filhos Ana Rita Ramos de Souza e Jacira Ramos de Souza.
Passado mais alguns anos decidiram alugar uma casa e foram morar lá por quase um ano até que meu avô conseguiu comprar um terreno de um senhor chamado Benedito, nessa propriedade adquirida já tinha uma velha casa de Taipa que meu avô fez uma pequena reforma ampliando para morar com a esposa e seus filhos, la nasceram seus outros filhos Nivaldo Ramos de Souza e Joelito Márcio Ramos de Souza..




Tempos depois meu avô mudou-se com toda a família para alguns vilarejos próximos chamados Fazenda Velha, Parafuso e Pratigi em busca de trabalho mais bem remunerado. Passaram-se mais alguns anos voltaram para Igrapiúna. O tempo foi passando a labuta do trabalho era grande e infelizmente a esposa do meu avô, minha querida avó Maria Santana que não pude conhecer, veio a adoecer. Foi então trazida para Salvador.BA para o Hospital Santa Isabel  recebeu atendimento e retornou para Igrapiúna, doze dias depois ela veio a falecer com 44 anos de idade, o causa da morte foi lavrada em sua guia de sepultamento como parada cardíaca respiratória. Depois do falecimento da minha avó meu avô nunca casou novamente.





            Única foto antiga existente hoje da minha avó Maria Santana.



Foi então que minha mãe Rosângela como filha mais velha das mulheres assumiu a responsabilidade da casa terminando de criar seu irmãos e cuidando do meu avô, ate quando conheceu meu pai Ademilso da Silva casou-se e foi embora para Ilha Grande de Camamu, nessa fase já estavam todos os filhos crescidos e independentes. Então cada um foi casando e constituindo suas famílias. Tempos depois seus filhos descobriram que meu avô não possuía documentos e era preciso retirá-los em cartório, foi entao que meu avô relatou que seu nome de batismo dado pelos seus pais não era Damião como todos os conheciam, mas sim Cosme, pois ele era irmão gemeo de Dãmiana. Todos ficaram admirados, mas decidiram então manter o nome em registro oficial do meu avô de Dãmiao, pois era sua vontade e todos ja o conheciam assim desde que havia chegado por lá.


ATUALIDADE


Ao todo meu avô tem 8 filhos, sendo 2 adotivos, 18 netos e 8 bisnetos.
Meu avô nunca mais voltou para a região onde nasceu, nem teve noticias sobre seus irmãos ou sua mãe.
Hoje ele continua residindo em Igrapiúna sendo cuidado pelos filhos que morram bem próximos a sua casa, pois o terreno do meu avô  é bastante extenso e os filhos foram construíndo suas casas ali mesmo tornando-se quase todos vizinhos.
Meu avô segundo suas palavras, se senti muito feliz e realizado, pois conseguiu criar todos os seu filhos com muita dignidade e respeito, todos constituiram suas famílias e estao estabilizados. Hoje meu amado avô recebe o carinho dos filhos e mimos dos netos que o amam muito. Meu avô para mim é mais que um exemplo de vida é meu orgulho, eu o amo muito.

Damião Bispo de Souza e sua neta Deiseane Souza da Silva.


É IMPORTANTE RELATAR QUE TODA HISTÓRIA AQUI DESCRITA TEM TODO CONSENTIMENTO E AUTORIZAÇÃO DO MEU AVÔ DAMIÃO BISPO DE SOUZA.

REFERENCIAS:



Acesso em:






<http://www.brasilheus.com.br/historia.html> Acesso 10.09. 2016 as 21: 15



MATTA, Alfredo. História da Bahia. ed. Eduneb: Salvador 2013.

SUL, Litoral Guia Cultural da Bahia. Volume 7. Salvador 1999.

Aulas ministradas pelo Professor Alfredo Matta principal orientador e incentivador do presente blog, na Disciplina Referenciais Teórico Metodologicos da História no Ensino Fundamental, na Universidade do Estado da Bahia-UNEB Salvador-BA.